Vértigo - Textos

Textos Pertinentes a "Vértigo" - Campanha de Ars Magica ambientada na Ibéria de século XIII.

2.12.04

Vertigo – A série

"Vertigo – A série"

Uma produção HBO Television
Direção: Stanley Kubrick e Luis Buñuel
Produção: Stanley Kubrick
Casting: Bela Lugosi

Hieronimus – Lord Richard Attenborough (Jurassic Park)
Moritias – Brad Pitt (snatch)
Paulus – James Madio (band of brothers)
Dario – Gabriel Byrne (stigmata)
Hugo – James Van Der Beek (dawson’s creek)
Philipo Razi – Adrian Brody (o pianista)
Martin – Jack White (the white stripes)
Claudius Adrianus – Antonio Banderas (a balada do pistoleiro)
Matuzalém – Antonio Abujamra (que rei sou eu?)
Eufrásio – Samuel L. Jackson (pulp fiction)
Fobo – Danny de Vito (o nome do jogo)
Thiago Sephiros – David Boreanaz (Angel)

Alessandro – Viggo Mortensen (o senhor dos anéis)
Urk – Rutger Hauer (o feitiço de áquila)
Tristan - Gabriel Byrne (stigmata)
Paco – Raul Julia (a família Adams)
Teresa – kate Beckinsale (van helsing)
Zarolho – Hermeto Pascoal
Joaquim – Matt Damon (a identidade bourne)
Ana – Natalie Portman (o profissional)
Luisa – Jennifer Connely (uma mente brilhante)
Jalilah – Salma Hayek (a balada do pistoleiro)
Shield – Silvester Stallone (rambo)
Joana – Scarlett Johansson (encontros e desencontros)

Tromeu de Flambeau – Cristopher Loyd (de volta para o futuro)
Taurus de Flambeau – Cristopher Lee (o senhor dos anéis)
Marco de Tytalus – Jeremy Irons (dungeons & dragons)
Giuseppe de Tremere – Robert de Niro (cabo do medo)
Gusmão, o Bravo – George Clooney (onze homens e um segredo)
Conde de Riamonde – Peter Sellers (um tiro no escuro)
Senhora das Brisas – Mônica Belucci (matrix reloaded)
Baltazar – James Earl Jones (star wars)

Cavaleiro Negro - Michael Clarke Duncan (demolidor)
Clarice Guernicus – Kate Winslet (titanic)
Irene Guernicus – Jodie Foster (o silêncio dos inocentes)
Cirene Guernicus – Claire Dannes (romeu e julieta)
Os homenzinhos azuis – Bill Murray e Michael Keaton (caça-fantasmas), Dan Ackroyd e John Belushi (os irmãos cara-de-pau)
Hermeto de Merinita – Robin Williams (patch Adams)
Padre Urbano – Harrison Ford (indiana jones)
Senhor dos lobos – Woody Allen
O guerreiro peidão – Quentin Tarantino
Condessa de York – Sophie Marceau (coração valente)

Fernando Molina - Andy Garcia (Os Intocáveis)

Almeyda Veteranix – Michael pollin

Elisa – Penélope Cruz (vanilla sky)
Cristiano – Buddy Revell (te pego lá fora)
Chamafred – Benicio Del Toro (21 gramas)
Megabob – Kevin Costner (dança com lobos)
Daniele – Anna Paquim (x-men)
Pablo – Jimmy Fallon (táxi)
Diego – Joseph Fiennes (shakespeare apaixonado)
Bruno, the butcher – Vin Diesel (triplo x)
Borochaga – Seu Barriga (chaves)
Durgan – Clive Owen (rei arthur)
Boris – Keith Carradine (deadwood)
Rodrigo de Burgos – Frank John Hughes (band of brothers)
Michel – Durval Discos (durval discos)
Filha do Urk – Naomi Watts (21 gramas)

Primus do Grande Tribunal
Quaesitor – Anthony Hopkins (o silêncio dos inocentes)
Flambeau – Marlon Brando (o poderoso chefão)
Bjornaer – Neil Young
Merinita – David Bowie
Criamon – Jack Nicholson (o iluminado)
Tremere – Al Pacino (advogado do diabo)
Bonissagus – Judi Dench (007 – o amanhã nunca morre)
Verditius – Bela Lugosi (drácula)
Tytalus – Dustin Hoffman (rain man)
Jerbiton – Frank Sinatra
Mercere – Boris Karlof (frankenstein)

30.11.04

House Rule #3

Relativa a armaduras que repelem ataques (Lei Tristan)

Para ataques a alvo que veste armadura encantada que repele ataques, aumenta-se o número alvo, no caso de tiros, com um modificador igual ao size da área exposta pela armadura e mirada pelo agressor (p. ex. tiro mirado na face = +5). Dobra-se este número alvo dado o "índice de refração" da magia impregnada na armadura, que altera a tragetória do projétil. Em combate direto, soma-se à defesa o size da área exposta e dobra-se o resultado. Caso seja bem sucedido o ataque ou o número alvo do tiro seja alcançado, o agredido não soma a seu soak o valor relativo à armadura.

House Rule #2

Relativa à Modificação as categorias de Target para magia: Group e Room.

Group: Um grupo distinto de mais de uma pessoa.

Room: Não precisa ser necessariamente um ambiente fechado ou haver paredes. Refere-se a uma área que ocupa no espaço, aberto ou fechado, o equivalente a no máximo 240 metros quadrados.

30.10.04

Do agradecimento e perdão, um conto de Alcornoque

Noite. Tristan está sentado cantando e bebendo nos jardins do palácio. Amanhã será celebrado o casamento de Gusmão, o Bravo e o Concílio de Alcornoque foi convidado, o que inclui ele e seu irmão. Um último gole e mais uma garrafa do excelente vinho palaciano chega ao fim. Dario está caminhando pelos jardins quando vê o irmão.

- Boa noite Dario, meu irmão. – Diz ele.
- Bela exibição hoje, não? Por vezes parecia mesmo que Urk tentava me acertar, mas após alguns verões praticando juntos passamos a nos entender. O pobre gigante deve estar dormindo de tão bêbado agora, mas amanhã provavelmente iremos repetir a dose.

Tristan está obviamente alterado, com certeza pelo fato de estar bebendo desde o amanhecer.

- Lembra-se quando estávamos em terras bascas? Acho que foi em Bilbao, se bem me recordo, onde conhecemos aqueles três, o ex-padre, o rapaz mal-humorado e o velho. Deus é testemunha que tanto o idoso quanto o religioso sabiam lutar tão bem quanto enxugar um jarro após outro da bela cerveja basca. O único infortúnio ocorreu quando interferistes na amigável contenda que havia se instaurado na taverna após ter beijado uma jovem acompanhada – sem ter conhecimento desse mero detalhe, obviamente. Sabia que eras direto, mas havia necessidade de aterrorizar o rapaz daquela maneira? Claro que ele exagerara, tentando enfiar a espada no padre – ele também não devia ter tentado apartar-nos, todavia – mas o jovem parecia ter visto em sua pessoa o próprio Demônio, vindo buscar sua alma pecadora.

Tristan ri um pouco. Então respira fundo, a expressão de alegria não está mais em seu rosto.

- Passava agora por minha mente que esta é a primeira vez que pisamos em solo palaciano desde nossa saída de Barcelona. Veio-me de repente um sentimento saudosista, bem como certa culpa.

Dario, que até então ouvia em pé, apenas sentou ao lado do irmão, inalterado.

- De vez em quando penso porque não agi com o cérebro, recusando as investidas da Duquesa. Porque tive que, novamente, colocá-lo dentro de meu próprio universo de tropeços impensados. Porque nasci assim, impulsivo e inconseqüente e tu, meu irmão, sempre tem que estar por perto para me livrar do pior? Estávamos ambos com nossos futuros encaminhados em Barcelona. Eu iria me encontrar com Catarina, a filha mais nova do Conde de Aranzabál, e talvez poderíamos finalmente nos entender, e tu iria desposar a bela Lady Anna, de Marselha, por quem foste apaixonado desde a mocidade, quando se conheceram. Que direito tinha eu de por tudo a perder com uma decisão tola e impensada?

Ficam então em silêncio por alguns minutos. Tristan tenta, em vão, buscar mais um gole na garrafa vazia, então a arremessa longe. Dario então sorri, e fala em um quase sussurro:

- Me lembrei agora de nossa mocidade. Sempre fora o mais ativo, o mais rápido e o mais forte. Estavas sempre agitado pelos corredores com o restante das crianças do palácio, enquanto meu fascínio pelo conhecimento me escondia atrás dos exemplares empoeirados de nossa biblioteca. Lembro-me também quando de mim faziam troça, por sempre ter evitado as brincadeiras mais corporais, como as pequenas pelejas, atividades corriqueiras entre os garotos, eras tu sempre o único a vir em minha defesa, ocasionalmente se engalfinhando com aquele que fosse suficientemente tolo a lhe enfrentar. Também foste tu quem ficara ao meu lado quando decidi me tornar um aprendiz das artes místicas, e foste tu quem sempre esteve ao meu lado ajudando a manter a discrição necessária a um estudante dessa área.

Tristan agora virava o rosto lentamente na direção de Dario. Em toda a sua vida nunca ouvira o irmão falar por tanto tempo, ainda mais após terem sido banidos pelo pai de Barcelona, há quase cinco anos. Dario apenas olhou para ele e sorriu.

- Por isso nunca me arrependi de estar lá quando precisaste de mim. Por vezes me passa pela cabeça se poderia ter agido diferente, e a verdade é que eu não me importo. Agiste sem pensar com certeza ao se envolver com a Duquesa, uma vez que ela e seu marido eram convidados em nossa casa, mas foi ele um covarde também, em perseguí-lo com o sabre quando te encontravas trajando apenas tua roupa de baixo. Sempre que tal imagem me vem à mente, tenho certeza que nenhuma outra atitude, senão a de incinerar o covarde, teria eu tomado, por mais terríveis que as conseqüências possam ter sido.

Agora um longo silêncio tomava os jardins. Dario, agora de pé, observava alguns soldados ao longe, em volta da fogueira. Podia ele ouvir histórias de combate e bebedeira. Ainda sentado, Tristan, um notório falastrão, não encontrava palavras. E não havia mais vinho.

24.10.04

House Rule #1

Relativa ao custo do merit chamado Secret Vis Source

O merit chamado secret vis source passa a ter um valor variável, sendo +1 se o vis produzido for relativo a uma forma, +2 se for relativo a uma técnica ou variável somente em formas, +3 se for de intellego ou variável em técnicas e formas e +4 se for variável somente em técnicas.

23.10.04

Biblioteca

Nota: libri quæstiona são resultado de dois debatedores. O primeiro é o compilador e a qualidade de obra é baseada nos seus scores.

Legenda:

A: Assunto
C: Cópia
c: Qualidade física do exemplar alterada em razão da sua caligrafia
E: Exemplar (es) disponível (eis)
e: Qualidade física do exemplar alterada em razão da sua encadernação
F: Qualidade física do(s) exemplar (es)
f: falta de páginas reduzindo qualidade da obra
Fc; Fe; etc: a minúscula após o “F” explica a razão do modificador na qualidade física do livro – vermelha quando o modificador apropriado é negativo. i.e., Fse (+0 F) indica um indicariam uma boa caligrafia, mas com uma encadernação ruim. O valor entre parênteses indica o modificador final.
N: Nível
O: Original. Às vezes é na verdade a primeira cópia do Consílio, produzida a partir de exemplar pertencente a outro Consílio, e matriz das demais. Por isso, é preservada junto com os originais escritos em Alcornoque e tem status de original.
t: erro teórico presente no exemplar copiado. Quando presente em original indica que foi (mal) copiado de original de outro Consílio, de modo que a qualidade básica da obra é reduzida.
Q: Qualidade básica do conteúdo da obra.
Qt;Qf; etc: Erro presente na cópia-matriz, alterando a qualidade de todas as cópias produzidas a partir desta.

Biblioteca Hermética

Tratados:

“Acerca do Reino da Razão”, por Hieronimus de Criamon
A: Teoria Mágica Hermética
Q: 7
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Rodrigo de Burgos)

"Da Crença", por Hieronimus de Criamon (proibido pela Ordem)
A: Teoria Mágica Hermética
Q:7
E: O (+0F) + 1C (+1F) (Rodrigo de Burgos)

"Da Autoridade pela Magia”, por Giuseppi de Tremere
A: Mentem (Aura da autoridade legítima)
Q: 7
E: O + 1C (+0F) (Rodrigo de Burgos)

"Contos da Fadolândia", por Matuzallém de Ex Miscellanea
A: Faerie Lore
Q: 1
E: O (+0F)

Sumas:

“Fundamentos da Arte da criação”, por Crotalus de Verditius
A: Creo
Q: 4 N:6
E: O (+0F) + 1C (+0F) (Rodrigo de Burgos)

“Além do Que Os Olhos Vêem”, por Hieronimus de Criamon
A: Intéllego
Q: 10 N: 13
E: O + 3Cc (+1F) (Rodrigo de Burgos)

“As Portas da Percepção”, por Aldous de Criamon A: Intéllego Qft: 2 N: 10 E: O (+0F)
“Fundamentos da Manipulação na Magia Hermética”, por Jano de Guernicus
A: Rego
Q: 6 N: 12
E: O (+0F) + 4C (+0F) (Rodrigo de Burgos)

“Os Quatro Ventos”, por Ahmed de Jerbiton
A: Auram
Q: 7 N:12 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) + 1Cct (+0F) (Beatriz Silva)

“Os Quatro Humores na Magia”, por Beregund de Bonisagus
A: Corpus
Q: 5 N: 15
E: O (+0F) + 5C (+0F) (Rodrigo de Burgos)

“O Fogo Hermético”, por Khaddijah de Flambeau A: Ignem Q: 7 N: 12 E: O (+0F) +1Cc (+1F) + 1C (+0F) (Carolina Silva)

“Das Propriedades Mágicas do Quartzo”, por Guy de Jerbiton
A: Terram
Q: 4 N: 6
E: O (+0F) + 1C (+0F) (Rodrigo de Burgos)

“Da Essência”, por Hieronimus de Criamon
A: Vim
Q: 10 N: 20
E: O + 2Cc (+1F) (Rodrigo de Burgos)

“Os Fundamentos do Poder”, por Hieronimus de Criamon A: Vim Q: ? N: ?
E: O (+0F) + 1C (+0F) (Rodrigo de Burgos)


Biblioteca Mundana

Área de conhecimento: Latim

Tratados:

“Declinações Irregulares”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 5
E: O (+0F) +1Cc (+1F) (José Adamastor)

“Declinações Regulares”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 6
E: O (+0F) +1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“Da Sintaxe no Latim Clássico”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 7
E: O (+0F) + 1C (+1F) (Manoel de Coimbra)

Libri Quæstiona:

“Questões Básicas sobre Latim”, por Manoel de Coimbra
A: Latim
Q: 11 N: 0
E: O (+0F)

Área de conhecimento: Artes Liberais

Tratados

“Tratado Geral de Gramática”, por Xavier Gouvêa
A: Artes liberais (Gramática)
Q: 7
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“A Arte da Retórica em Portugal”, por Xavier Gouvêa
A: Artes liberais (Retórica)
Q: 8
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

“Dos Silogismos”, por Leocadius Filipinus
A: Artes liberais (Lógica)
Q: 6
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“Da Lógica Analítica”, por Heitor de Creta
A: Artes liberais (Lógica)
Q: 8
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

“Considerações Sobre Os Números Fracionários”, por Samuel Almeida
A: Artes liberais (Aritmética)
Q: 5
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“Aplicações do Teorema de Pitágoras”, por Samuel Almeida
A: Artes liberais (Geometria)
Q: 5
E: O (+0F) + 1C (+0F) (José Adamastor)

“As Plêiades”, por Mohammed ibn Hussein bin Hassan
A: Artes liberais (Astronomia)
Q: 6
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“Das Escalas Atonais”, por Rachid Nassib
A: Artes liberais (Música)
Q: 6
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

Libri Quæstiona:

“Questões Básicas sobre Artes Liberais”, por Rodrigo de Burgos e José Adamastor
A: Artes liberais (todas)
Q: 14 N: 0 E: O (+1F) + 2Cc (+1F) (José Adamastor)

Área de conhecimento: Lei Civil e Canônica

Tratados:

“A Propriedade no Direito Romano”, por Dimas Coutinho
A: Lei Civil
Q: 4 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

“As Bulas Papais e A Terra Santa”, por Dom Estevão de Leiria
A: Lei Canônica
Q: 5 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

Sumas:

“O Direito Civil e Canônico”, por Dom Estevão de Leiria
A: Lei Civil e Canônica
Q: 9 N: 5 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

Área de conhecimento: Medicina

Tratados:

“Lepra” por Avner ben Bachar
A: Medicina
Q: 9 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

Sumas:

“Compêndio de Medicina”, por Ali Hussein Al Hakim
A: Medicina
Q: 10 N: 3 E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

Área de conhecimento: Filosofia

Tratados:

Área de conhecimento: Teologia

Tratados:

“Comentários Sobre O Evangelho de João”, por Lorenzo de Pamplona
Q: 8
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (José Adamastor)

“Cristo e A Libertação de Portugal”, por Gusmão Telles
Q: 9
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

Sumas:

“Teologia”, por Frei Lucas de Coimbra
Q:8 N: 5
E: O (+0F) + 1Cc (+1F) (Manoel de Coimbra)

14.9.04

Novo Log de Campanha

O novo log de campanha já está no ar e atualizado até o fim da segunda aventura, que era até onde ia o original, aqui registrado.

Esta página fica agora restrita ao restante do material exceto o log das aventuras, como contos, leis e medidas do consílio, jurisprudência, mapas, desenhos, diários pessoais dos magos e demais textos pertinentes à campanha.

Estas são as bibliotecas hermética e mundana enviadas por Pedrinho ao final da Terceira Aventura. Segundo me consta, salvo engano, os acervos estão atualizados até o inverno de 1.227.

Biblioteca Hermetica

Tratados

“Acerca do reino da razão”, por Hieronimus de Criamon
A: Teoria Mágica Hermética
Q: 7
E: O + 1C (Rodrigo de Burgos)

“Da autoridade pela magia”, por Giuseppi de Tremere
A: Mentem (Aura da autoridade legítima)
Q: 7
E: 1C (??) + 1C (Rodrigo de Burgos)

Sumas

“Fundamentos da arte da criação”, por Crotalus de Verditius
A: Creo
Q: 4 N: 6
E: 1C (???) + 1C (Rodrigo de Burgos)

“Além do que os olhos vêem”, por Hieronimus de Criamon
A: Intéllego
Q: 10 N: 13
E: O + 3C (Rodrigo de Burgos)

“Fundamentos da manipulação na magia hermética”, por Jano de Guernicus
A: Rego
Q: 6 N: 12
E: 1C (???) + 4C (Rodrigo de Burgos)

“Os quatro humores na magia”, por Beregund de Bonisagus
A: Corpus
Q: 5 N: 15
E: 1C (???) + 5C (Rpdrigo de Burgos)

“Das propriedades mágicas do quartzo”, por Guy de Jerbiton
A: Terram
Q: 4 N: 6
E: 1C (???) + 1C (Rodrigo de Burgos)

“Da essência”, por Hieronimus de Criamon
A: Vim
Q: 10 N: 20
E: O + 2C (Rodrigo de Burgos)


Biblioteca Mundana

Área de conhecimento: LATIM

Tratados

“Declinações Irregulares”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 5
E: 1C (???)

“Declinações Regulares”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 6
E: 1C (??)

“Da Sintaxe no Latim Clássico”, por Xavier Gouvêa
A: Latim
Q: 7
E: 1C (??)

Liberi Quœstiona

“Questões Básicas sobre Latim”, por Manoel de Coimbra
A: Latim
Q: 11 N: 0
E: O

Área de conhecimento: ARTES LIBERAIS

Tratados

“Tratado Geral de Latim”, por Xavier Gouvêa
A: Artes liberais (Gramática)
Q: 7
E: 1C (??)

“A Arte da Retórica em Portugal”, por Xavier Gouvêa
A: Artes liberais (Retórica)
Q: 8
E: 1C (??)

“Dos Silogismos”, por Leocadius Filipinus
A: Artes liberais (Lógica)
Q: 6
E: 1C (??)
“Da Lógica Analítica”, por Heitor de Creta
A: Artes liberais (Lógica)
Q: 10
E: 1C (??)

“Da Fórmula de Báskhara”, por Samuel Almeida
A: Artes liberais (Aritmética)
Q: 8
E: 1C (??)

“Aplicações do Teorema de Pitágoras”, por Samuel Almeida
A: Artes liberais (Geometria)
Q: 13
E: 1C (??)

“As Plêiades”, por Mohammed abd Hussein bin Hassan
A: Artes liberais (Astronomia)
Q: 6
E: 1C (??)

“Das Escalas Atonais”, por Rachid Nassib
A: Artes liberais (Música)
Q: 6
E: 1C (??)



12.3.04

Log Heitor - parte 6 (Referente ao ocorrido no episódio "Moritias Lança Galanteios Sobre Ana")

Matilde deixou o aposento a passos apertados, quase fugindo. Não por Philippo; era raro, sim, vê-lo com a cara fechada daquela maneira, mas havia acontecido antes, não era tão inusitado, nem mesmo tão ameaçador. O mais espantoso foi o modo como Ana tinha imediatamente parado de falar, e permanecido calada, tão logo ele abriu a porta – e era preciso muito pouco tempo com Ana para entender que isto era de uma raridade absurda. A porta fechou, e Matilde rumou de volta para a cozinha sem ousar pensar num motivo para o silêncio, ou para os olhares de ambos.

Philippo fez menção de sentar-se na cama antes de rapidamente recolher o movimento e dirigir-se à cadeira. Ana puxou os lençóis e espremeu-se contra a parede, como se isso aumentasse a distância entre ambos.

- Você está melhor. Já está quase completamente curada. – afirmou ele, no galego cada dia mais fluente, a tônica piemontesa de suas sílabas beirando à extinção. Fosse outra pessoa, pensava Ana, ele talvez tivesse perguntado (“está melhor?”); ou mesmo mostrasse alegria (“você já está quase completamente curada!”); e a irritação causada por este pensamento estampou-se claramente em seu rosto. Ele uniu os dedos das mãos em reação, como fazia sempre que não estava à vontade com algo – um cacoete que mostrava desde seus tempos com a velha trupe. – Deves agradecer àquela mulher, Jalila. Suas habilidades são realmente prodigiosas.

- É. – ela respondeu.
- O modo como ela tratou o ferimento no seu rosto foi excepcional, quase não se vê mais a ferida.
- Sim.
- E as queimaduras nos pulsos, as escoriações.
- Hmhm.
- E aquele corte no seu braço, como está? Não o vejo daqui.

Ela estendeu o braço direito para fora da coberta, mostrando o talho na altura do antebraço. Ele levantou-se bruscamente da cadeira em sua direção, soltando as mãos, como se a situação finalmente lhe desse um direito à intimidade. Mas não tocou no ferimento.

- Criança. – ele levantou o olhar para Ana. – O que aconteceu contigo?

Ela recolheu o braço em resposta.

Ele a princípio cerrou a testa como se fosse gritar, depois segurou o colchão bem apertado com os dedos, e finalmente voltou a unir as duas mãos, levantando-se da cama e caminhando até a parede oposta.

- Você continua indisposta a me dizer. Por quê?

Ela permanecia muda.

- Eu tenho tolerado essa atitude há mais de um mês, desde que chegaste aqui à beira de morte. Cuidei de ti sem questionar, como sempre. Não mereço um mínimo de consideração?

- Claro que merece, tio.

- Eu não sempre confiei em ti, e tu em mim?

- É, tio.

- Então porque não me contas quem te fez isso? Como fizeram? Onde estiveste?

Não conseguia encontrar palavras. Na verdade ela provavelmente teria dito tudo sem pestanejar, mas não sabia como, nem saberia justificar, explicar; adoraria poder compartilhar tudo que passara com Philippo, a dor, o desespero, o arrependimento; adoraria pedir sua ajudar para retornar com ele à vila e salvar João, vingar-se daquele populacho nojento – se achasse as palavras. Se achasse que ele estava disposto a compreender e ajudar.

- Não dizes. Nem este pingo de consideração. Então mudo a pergunta: porque deixaste El Ferrol? Tu não estavas bem instalada lá, com teus companheiros?

- Estava ótima, tio.

- Não tinhas um teto, cama, o melhor da comida e da bebida? Não tinhas a chance de viver da arte com tranqüilidade?

- Tinha.

- Então! – Philippo estendeu os braços teatralmente. Outro velho cacoete.

- Eu agradeço, tio. Não foi por mal ao senhor.

- Não? Que ótimo. – juntou os dedos novamente, irônico. – Mas senão, por que foi, então?

Ana desviou o olhar e calou-se novamente. Philippo, como quem já esperava a reação, retornou à cadeira.

- É estranho – acomodou-se ele, em falsa calma. – que te cales ao conversar comigo, que te conheço há tantos anos, e dignes-te a jogar conversa fora com estranhos como Matilde. Ou com aquele vagabundo do Moritias.

Ele quase sorriu de satisfação ao perceber como Ana rapidamente voltou a encará-lo, e ela até chegou a puxar o fôlego para retrucar – mas súbito, percebeu que era o que ele queria, ou ao menos esperava, e não fez mais nada.

- Ora. – prosseguiu Philippo. – Não vais dizer nada em defesa dele? Imaginei que o tivesse em alta conta, vendo como são freqüentes suas visitas aqui. Afinal, de que conversam todo este tempo?

Sabia, pensava ela, sabia que ele chegaria a isto. Mas não daria essa satisfação a ele. Não podia deixar que ele cruzasse essa barreira, o basta tinha que vir agora. Ela esforçou-se, pensando desesperadamente em alguma maneira de colocar um ponto final naquilo sem soar tremendamente rude, mas por fim o silêncio do aposento atingiu o máximo de sua extensão, e ela preferiu dizer qualquer coisa antes que ele voltasse a fazê-lo antes:

- Sinceramente, tio... Não é da sua conta.

- Não é da minha!!? – Philippo saltou da cadeira, interrompendo-se, apertando o pano de sua roupa até quase rasgá-la, os lábios contorcendo-se no esforço de conter as palavras. Então levou a mão direita à frente, num gesto parcialmente acusador, antes de prosseguir sem conseguir disfarçar a raiva. – Como você pode dizer isso? A mim? Como? Eu te tirei da rua, te dei abrigo, segurança, comida, te dei até meu sobrenome! Eu tolerei cada pequena rebeldia e instinto aventureiro teu! Eu tolerei que vagasses por onde bem entendesses, porque confiava em ti! E como posso confiar agora?

- Eu não fiz nada de errado. – ela já não se encolhia mais contra a parede.

- Não? E que nada é esse que te fere até quase a morte? Hein? Não dizes?

- Não. – engoliu em seco. Era tão difícil responder a ele assim.

- Sua ingrata. Tu não tens o direito –

- Tenho sim!

O grito dela interrompeu Philippo de uma maneira tão imprevisível, que ambos pausaram, surpresos. Foi por uma sorte que Ana conseguiu retomar o diálogo primeiro:

- É minha vida, tio. Quem mais pode vivê-la? Quero dizer, ninguém. Eu não quero, tio, entende? Sou grata a ti! Mas se é para ficar a vida toda presa àquela corte ridícula de El Ferrol, não sei dos perigos do resto do mundo. Mas viver presa assim? Prefiro morrer!

Philippo passou a mão sobre os olhos, suspirando.

- És uma idiota, como tua tia.

- Tia Ana não era –

- Uma idiota, sim, era exatamente isso que ela era. Que achas que ela me disse da última vez que a vi? Que preferia morrer! Pois bem, a preferes assim, morta? Hã?

- Mas, mas não foi culpa dela.

- Ah, não? De quem então? Minha?

- Não!

- De quem, então?

- De.

- Sim?

Ela encolheu-se de novo na parede, e calou-se.

- De quem foi a culpa, Ana? De quem? Ias a dizer algum nome?

- Não, tio.

- Não ias. Escuta bem uma coisa sobre tua tia. Ela viveu irresponsavelmente como tu fazes hoje em dia; bem sabes que ela preferia apanhar a dar satisfação a alguém. Era uma idiota, como eu disse. Amei-a desesperadamente, mas sempre soube que era uma idiota.

- Tio!

- Cala-te. Tens que aprender uma coisa comigo e com tua tia morta, Ana. Aprende como eu aprendi a duro custo, por mais que meu mestre tanto insistisse em ensinar. O risco é para os tolos; esta ânsia de liberdade que nos consome na juventude, uma miragem que deixei que me enganasse. Só é possível viver sem dar satisfações quando se é responsável, se calcula, se planeja com cuidado. É duro, quando se é jovem, mas com o tempo, acostuma-se a isso.

- Mas.

- Sem “mas”. Não te obrigo a mais nada. Talvez tenhas razão em dizer que tua vida não é mais da minha conta; mas acredita mais ainda em mim quando digo que deves aprender a ser responsável. Teus atos claramente tiveram conseqüências para ti, não sei se para outros. Tens que remediá-las, aprender a lidar com elas.

- ... sim. – Ana abaixou a cabeça, pensando em João Ligeiro, no que ele devia estar passando por tê-la ajudado a fugir.

- Queres viver descompromissada? Ótimo, corres o risco de acabar como tua tia, mas não te impeço mais. Agora, se queres meu conselho, tenta voltar à El Ferrol. A estabilidade que te caberá lá não tem preço; com sorte, podes até arranjar alguém, talvez não um nobre, mas alguém que te apeteça e sustente tuas ocasionais aventuras. Quem sabe? A chance de fazer família também não tem preço, e acho que posso dizê-lo, já que perdi a minha.

Philippo abaixou a cabeça sem perceber, e seus olhos pareceram observar através do chão, como se não estivesse lá. Ana saiu da cama, esticou os braços para abraçá-lo.

- Desculpa, tio. Não queria ficar te remoendo essas coisas.

- Não, não é problema. Preocupo-me só contigo. Ficas aqui por enquanto?

- Não, acho que não. Eu vou. Não sei, vou ver o que faço, talvez volte à El Ferrol. Tenho saudades da trupe, e de Elisa. Coitada.

- Elisa? A dançarina?

- Ela. Ah, tio, o que aquele Conde filho da puta faz a ela!

- ANA!

- Desculpa, tio, não sei o que me deu. Se eu pudesse, pegava aquele desgraçado e... mas bem, não posso. Só que há algo a fazer antes de ir lá, e. Hm. Não sei. Algumas pessoas que posso chamar.

- Vê lá onde te metes. – levantou-se, afastando-a carinhosamente. – Outra coisa. Não esperes muito de Moritias; ele é assim com todas e tantas. É incapaz de dedicar-se a alguém. Imagino que tu queiras algo diferente.

- Acho, acho que. Bom, sim.

Ele rumou para a porta, com os braços soltos.

- Muito bem. Vou voltar a cuidar de minhas coisas, qualquer coisa peça para me chamarem.

- Claro.

- Sabes que tudo que faço é pro teu bem, não sabes?

Ela mordeu o lábio.

- Sabe, tio? Pareces até Giuseppe, falando assim.

- Giuseppe? – estranhou Philippo. – Quem? Giuseppe meu mestre?

- Ele.

- E é ruim isso?

- Não! Não, de jeito nenhum...

- Ora. Bem, até breve.

Philippo fechou a porta, meio bruscamente, e ela completou à meia-voz.

- ... afora o hábito dele de matar só pra provar que está certo, acho que problema nenhum...

11.8.03

Log Heitor - Parte 5
(Referente ao ocorrido no episódio "Os Testes de Hieronimus")

***


Os cintilantes arcos de prata, quem diria?

Eram tudo que Fernando não esperava deles. Depois de toda aquela beleza através da qual se formaram, de toda aquela estória de Philippo sobre fadas, ele esperava algo mais próximo de uma reluzente e florida paisagem, com cores vivas e duendes saltitantes ou algo do gênero. A bem dizer, a maior parte de seu ser - a parte que raciocinava logicamente - ainda se dizia que aquilo que testemunhava agora era parecido demais com um pesadelo para ser real; seus sentidos é que insistiam em dizer o contrário.

Na escuridão quase absoluta ele podia distinguir a forma de árvores gigantescas, viscosas, pegajosas, em constante movimento. Movimento? Movimento, ele podia jurar que elas estavam vivas, e também não tinha tempo pra se preocupar com isso, pois conseguia distinguir inúmeros pares de olhos vermelhos, e sua pele se arrepiava com os constantes uivos. Ali dentro (não conseguia pensar em outro advérbio que não "dentro" para distinguir sua localização), tinha certeza, havia mais lobos, e de uma estirpe maior e mais cruel, do que jamais havia existido em todos os tempos na floresta lá "fora", somados. Ou talvez apenas as sombras estivessem atiçando sua imaginação?

De todo rumo, entrar ali já seria má idéia, prosseguir no caminho pelo tempo que prosseguiam, parecia burrice da mais pura espécie. Ainda assim Philippo não dizia nada, parecia obstinadamente procurar por algo, como se a escuridão e toda aquela atmosfera macabra não o influenciassem. E não é que ele não tivesse medo, Fernando sabia que, apesar das evidências em contrário, ele ainda era um homem, que lidavam com algo perigoso até mesmo para si, e que tinha medo. É só que ele parecia mais - como se pode dizer? Acostumado.

- O que tinhas dito sobre as fadas, Philippo?
- Cala-te, ragazzo. Fica quieto. Estou pensando.
- Fernando! - interviu Cristiano, subitamente apavorado. - Fernando, está cheio de lobos aqui!
- E logo estará cheio deles na tua carótida se não calares a boca! - retrucou o bruxo, não tão irritado quanto suas palavras dariam a entender. - Ali.

Apontava para uma brecha que se abria por entre os incontáveis galhos, de maneira suspeita, quase que indicando-lhes o caminho, e para lá se dirigiu.

- Philippo.
- Che é?
- Duas coisas.
- Fala logo.
- Primeiro, como estamos vivos? E segundo, como vamos continuar assim?
- Bom, tu estás vivo porque estás comigo. E eu estou vivo porque não é do interesse de nosso anfitrião que eu morra, ainda; e assim ficaremos até que ele mude de idéia.
- Anfitrião? Mas de quem diabos estás falando?!

Em resposta os galhos a frente abriram-se, revelando uma grande clareira. No meio da clareira havia uma árvore, e sentado na árvore havia um homem.

Primeiro, era difícil chamá-la de árvore, porque era grande demais para uma, grande até mesmo para os padrões distorcidos daquele lugar; e porque parecia dotada de uma vida, de uma aura completamente diferente. Não era nenhuma luz que emitisse ou sua aparência, e sim algo na força de seu tronco que dava-lhe a impressão de de ser impossível movê-la, alterá-la, controlá-la. De ser o que ser e nada poder mudar aquilo. De suas raízes corria uma nascente que se transformava num pequeno riacho, mas não era água o que nele corria, e Fernando nem gostaria de especular a respeito do que seria - porque, fosse o que fosse, estava gritando de dor, ou de agonia.

Segundo, era difícil chamar àquilo de homem, mais parecia-se arremedo de um. Media, se tanto, metade da altura de Fernando, que não era alto, e tinha o rosto velho, o nariz enorme, os rostos recheados de cataratas nojentas, o corpo fino, esquelético, coberto apenas por aglutinações de folhas e uma barba grisalha, mistura de ramos, folhas e fios. Apesar disso, era aterrorizante de um modo completamente incoerente: aterrorizavam seu estranho modo de se mover, seu corpo deformado e, mais que tudo, seus risos periódicos e animalescos, misturando-se com tosses e rugidos até o ponto onde não se sabia qual era qual. Aterrorizavam porque todos eles davam, cada um a seu tempo, a certeza de que tudo que a vista alcançava ali lhe pertencia, que tudo ali o obedeceria sem ao menos receber ordens faladas.

Mentira. Havia uma coisa que não parecia ser assim: a árvore, o Alcornoque. Sentado ali, era como se ele fingisse poder controlá-la, como se fingisse ser seu dono, e de certa forma era, simplesmente porque poderia evitar que qualquer um a tomasse dele - e os lamentos vindos do rio soavam como um cão cuja coleira estava muito apertada, desgostoso, mas curvando-se à autoridade; domínio, sim, mas... não era a mesma coisa.

- Dele. - respondeu Philippo.

O homenzinho gargalhou novamente e, a um estalar de dedos seu, caíram pendurados por galhos dois soldados bem armados, ficando suspensos a cerca de dois metros do grupo, em súplicas por socorro.

- O que significa isto!? - berrou Fernando, armando seu arco por reflexo, enquanto Cristiano empunhava seu machado da maneira mais intimidadora que conseguia.
- Isto - retrucou Philippo - é uma ameaça.
- Pensei que ele quisesse você vivo!
- Ah, claro. Mas só até saber que espécie de visitante eu era.
- E qual seria?
- O tipo que ele mata.
- Hã? Então temos de atacá-lo logo!
- Podes tentar.

Berrando desvairadamente, Cristiano atacou os galhos que seguravam um dos soldados; mas, atordoado por algum efeito alucinógeno, tropeça e erra; um outro galho enrosca-se em seus pés, e logo ele tem o mesmo destino dos outros dois.

Em resposta, Fernando soltou o dedo e deixou que a flecha abandonasse a linha de seu arco, com destino à testa do velho raquítico; mas então este parece multiplicar-se em inúmeras imagens, e então tudo parece borrado e trêmulo, e Fernando desaba ao chão, tonto.

Não pôde distinguir com tanta clareza o que ocorreu dali em diante, mas conseguiu ver a criatura aproximar-se de Philippo, sua risada, e tinha certeza de que ele seria o próximo a cair. E já podia ver os cipós e os lobos rodeando-o, prestes a arrancar-lhe os olhos das órbitas, quando reparou que ele sorria - aquele mesmo sorriso pardo de antes.

Alguns murmúrios pareceram deixar os lábios sorridentes do feiticeiro, logo cortados pela voz ríspida do homenzinho:

- Que foi, verme humano? Que é que dizes antes de morrer?
- Nada. - respondeu Philippo, ainda o sorriso em sua face.
- Então, morra com -
- Não.

As plantas e os galhos detiveram-se em seu trajeto, o homenzinho recuou, e súbito, a voz de Philippo não era mais a de um italiano magricela e de pele muito pálida. Seu sorriso pardo, parecia ter se estendido a toda a clareira, rodeando-o numa aura de poder inderrotável, imbatível, como se a Terra o tivesse imbuído de direitos sobre ela, sobre o lugar, sobre a árvore - como se ele fosse o legítimo governante de tudo que ali pisava.

- Eu não morrerei pelas mãos de nenhum dos aqui presentes, nem hoje, nem nunca. Nem nenhum mal tu me causarás, criatura. Agora aproxima-te.

O homenzinho obedeceu, e simplesmente parecia não ter outra escolha.
- Como és chamado?
- Sou conhecido como Senhor dos Lobos, bruxo.
- Pois bem, Senhor dos Lobos. Pisas em solo que não te pertence.
- Quê!? Absurdo! Blasfêmia! Sou o dono incon -
- Cala-te! - interrompeu Philippo, e tudo silenciou. - Tu sabes bem do que falo.

O Senhor dos Lobos olhou para a árvore atrás de si, rapidamente compreendendo.

- O Alcornoque? Meu precioso, precioso trono?
- Não é teu. É meu e dos meus, por direito, como foi profetizado.
- Ridículo!
- Duvidas? Pois bem, mata-me, vá em frente; logo verás o que acontece com quem desafia os desígnios do destino. Maldição terrível te aguarda se me ferires - mas sei que não o fará.
- Ah, sim? Sabes como?
- Sei. Isto basta. Agora, deixa este lugar, e os mortais que atormentaste.
- Não! Tu podes ser o escolhido da terra, das estrelas ou do estrume de minha alcatéia, não sairei daqui de mãos vazias!
- Pois bem. - Philippo abriu os braços. - Que pedes, então?
- Estas coisas que carregas!
- Isto? - mostrou-lhe as asas de madeira, junto com uma seta, um pedaço de papel e um anel, que carregava no dedo. - Bens valiosos.
- Minha oferta! Sim! Minha oferta! A árvore e os humanos nojentos em troca, é o que desejas!
- Que seja. - Philippo deixou os itens caírem ao chão. - Uma amostra de minha generosidade, e da dos escolhidos pelo Alcornoque. Agora vá.

A visão de Fernando turvou-se novamente até que ele não pudesse distinguir mais nada, e então nublou-se, e escureceu.

***


- Acorda, ragazzo. - a voz do italiano do soou, mais suave do que jamais tinha sido.

Fernando abriu os olhos para encontrar-se de volta à floresta, recostado numa grande árvore, à beira de um riacho, os olhos ardendo com a luz do sol. A seu lado Cristiano dormia sonoramente.

- O que houve? Onde estamos?
- Na floresta.
Piscou os olhos:
- Qual?
- A sua. A normal.
- Ah, que alívio. - levantou-se devagar, abrindo os braços.
- Meus companheiros já se aproximam.
- Aquele é Paulo? - Fernando apontou para o mais jovem dos muitos homens que se aproximavam ao longe.
- Sim. Conheces?
- Longa história.
- Contas-me depois. Vamos acordar Cristiano.
- Espera, antes, diga-me.
- O che?
- Não sei bem o que conseguiste, mas...
- Si?
- Tu não. Hm. Não me leves a mal por dizer isso. Tu não és escolhido de coisa nenhuma, não tens direito a nada, o que quer que isso queira dizer. Aquele monstrinho da árvore, tu. Tu o enganaste. Não foi?

Philippo não respondeu, logo virou-se de costas e andou até Cristiano.

Mas Fernando tinha certeza de ter visto, de relance, aquele sorriso pardo estampado em seu rosto.